Amazonas enfrenta onda de emergências com cheia, chuvas e crise hídrica

Amazonas enfrenta onda de emergências com cheia, chuvas e crise hídrica

O Amazonas chega ao fim do quinto mês do ano acumulando uma sequência de decretos de situação de emergência em pelo menos 30 municípios, em um cenário que combina cheia dos rios, chuvas intensas, erosão urbana e até contaminação de fontes de água. A Defesa Civil já se prepara para seca severa nos próximos meses.

Deste total, 17 cidades já decretaram emergência apenas em razão da cheia, típica do primeiro semestre do ano, mas que afeta comunidades ribeirinhas, infraestrutura urbana e serviços públicos. Estão em situação de emergência por conta da subida dos rios: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Boca do Acre, Canutama, Carauari, Eirunepé, Guajará, Itamarati, Ipixuna, Japurá, Juruá, Jutaí, Lábrea, Santo Antônio do Içá, Tabatinga, Tapauá e Tonantins.

Atualmente, conforme apontam dados da Defesa Civil, nenhum dos municípios está em estado de normalidade. Ao todo, cinco estão em alerta e 40 em atenção.

Chuvas intensas
Se a cheia já impõe desafios históricos, as chuvas intensas têm agravado ainda mais o cenário. Municípios como Borba, Careiro, Nova Olinda do Norte, Caapiranga, Manicoré, Parintins, Tonantins e Novo Aripuanã também decretaram situação de emergência após episódios de precipitações acima da média.

A capital também entrou na lista. A Prefeitura de Manaus decretou situação de emergência no início de abril após registrar volume de chuva cerca de 100 milímetros acima do esperado nos meses de fevereiro e março. Os impactos foram sentidos em diversas áreas da cidade, com alagamentos, deslizamentos e desabamentos. Um dos episódios mais críticos ocorreu no dia 25 de março, quando a intensidade da chuva provocou danos significativos em diferentes zonas da capital.

Água contaminada
No município de Benjamin Constant, o problema vai além dos eventos climáticos. A cidade decretou emergência em saúde pública e derramamento de produtos químicos diante da contaminação persistente das águas dos rios Javari e Javarizinho, que abastecem a região.

A origem do problema está associada a um vazadouro a céu aberto localizado em Islândia, no Peru, às margens dos rios fronteiriços. Segundo dados da prefeitura, cerca de 62 comunidades foram afetadas, o que representa 4.476 famílias e aproximadamente 17 mil pessoas, incluindo populações urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas.

Relatórios técnicos apontam a presença contínua de contaminação microbiológica nas fontes alternativas de abastecimento, o que tem elevado o risco de doenças de veiculação hídrica. Diante disso, o uso da água foi restrito a atividades essenciais, como serviços públicos e ações emergenciais.

Erosão ameaça estruturas
Outro fenômeno que preocupa é a erosão. Em Urucurituba, o avanço do processo na margem fluvial levou à decretação de situação de emergência após desabamentos e risco iminente a estruturas urbanas.

Um evento registrado no fim de março provocou a perda de cerca de 50 metros de área na orla da cidade, comprometendo trechos da avenida Arco-Íris, no Centro. Casas, comércios, ruas e até postes estão sob ameaça.

Mudanças climáticas
Especialistas apontam que a intensidade e a frequência desses fenômenos estão diretamente ligadas às mudanças climáticas. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Sena, destaca que os efeitos, antes previstos para o futuro, já são realidade.

“Temos enfrentado muitos problemas com mudanças climáticas. Há 40 anos, não imaginávamos que elas aconteceriam na velocidade que vimos”, afirmou.

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Redacao Portal Impacto

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