Patrões da construção civil e categoria fecham acordo e encerram a greve

Patrões da construção civil e categoria fecham acordo e encerram a greve

MANAUS – O Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas) e o Sintracomec-AM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial do Amazonas) fecharam nesta sexta-feira (17) um acordo para a Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027, colocando fim ao impasse que levou a categoria à greve.

A negociação, mediada pela Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego do Amazonas, ocorreu horas depois de os trabalhadores paralisarem as atividades e realizarem uma mobilização em frente à sede do TRT-11 (Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região).

Pelo acordo, assinado pelo presidente do Sinduscon-AM, Frank do Carmo Souza, os trabalhadores terão reajuste salarial de 6,5%, aplicado sobre os salários vigentes em 30 de junho de 2026, com efeito a partir de 1º de julho. O percentual vale para as classes A e B da Construção Civil, até o limite do piso da classe C, e para as classes A, B e C da Montagem e Manutenção Industrial, até o limite do piso da classe D.

Para as demais classes, o reajuste será de 5,5%, também a partir de 1º de julho, somado a um reajuste adicional de 1%, não cumulativo, a ser aplicado em 1º de janeiro de 2027 sobre o salário vigente em 30 de junho de 2026.

O acordo prevê ainda a fixação do valor da cesta básica em R$ 300 a partir de julho de 2027, com os itens da cesta in natura revisados pela média de mercado dos últimos seis meses, mantendo margem de 15% abaixo do novo valor.

Todas as demais cláusulas da Convenção Coletiva 2025/2026 serão reeditadas para a vigência 2026/2027, com os valores de benefícios e multas corrigidos em 6,5%. Os dois dias de paralisação também serão abonados, não sendo descontados como faltas nem computados para efeito de DSR ou cesta básica.

O acordo selado nesta sexta-feira encerra um processo de negociação que se arrastava desde 9 de junho, quando teve início a primeira de mais de seis rodadas realizadas na sede da SRTE/AM. Nas semanas anteriores, o Sinduscon-AM havia oferecido reajuste de 6% com efeito retroativo a 1º de junho, patamar que considerava superior ao INPC do período, mas a proposta foi rejeitada pelo Sintracomec-AM, que classificou o índice como mera reposição inflacionária, sem ganho real, além de parcelado.

No dia 10 deste mês, o presidente do Sintracomec-AM, Cícero Custódio, o Sassá da Construção Civil, chegou a afirmar ao ATUAL que a categoria acumulava sete anos de perda salarial, citando como exemplo o caso de um servente que ganhava dois salários mínimos e hoje recebe cerca de um. Entre as reivindicações dos trabalhadores estavam reajuste de R$ 300 na cesta básica, fim das horas extras aos sábados com adicional de 100%, auxílio para exames médicos, extensão da cesta básica a terceirizados e manutenção do benefício a trabalhadores afastados por atestado médico.

Do lado patronal, Frank Souza rebateu as críticas, defendendo que o índice oferecido estava acima do INPC e explicando que o aumento na geração de empregos do setor não se traduz automaticamente em reajuste salarial, já que a negociação coletiva trata do piso da categoria, e não do quanto cada empresa pode pagar individualmente.

Em conversa com o ATUAL, ele também argumentou que a cesta básica já havia tido alta de 80% no ano anterior e que o Secont supriria parte das demandas sobre acompanhamento de saúde dos trabalhadores. Diante da falta de acordo, o Sintracomec-AM havia anunciado greve a partir de quarta-feira (15), com potencial de mobilizar mais de 40 mil trabalhadores, culminando no protesto realizado nesta sexta-feira em frente ao TRT-11, horas antes de o acordo ser finalmente costurado.

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Redacao Portal Impacto

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