Todas as demais cláusulas da Convenção Coletiva 2025/2026 serão reeditadas para a vigência 2026/2027, com os valores de benefícios e multas corrigidos em 6,5%. Os dois dias de paralisação também serão abonados, não sendo descontados como faltas nem computados para efeito de DSR ou cesta básica.
O acordo selado nesta sexta-feira encerra um processo de negociação que se arrastava desde 9 de junho, quando teve início a primeira de mais de seis rodadas realizadas na sede da SRTE/AM. Nas semanas anteriores, o Sinduscon-AM havia oferecido reajuste de 6% com efeito retroativo a 1º de junho, patamar que considerava superior ao INPC do período, mas a proposta foi rejeitada pelo Sintracomec-AM, que classificou o índice como mera reposição inflacionária, sem ganho real, além de parcelado.
No dia 10 deste mês, o presidente do Sintracomec-AM, Cícero Custódio, o Sassá da Construção Civil, chegou a afirmar ao ATUAL que a categoria acumulava sete anos de perda salarial, citando como exemplo o caso de um servente que ganhava dois salários mínimos e hoje recebe cerca de um. Entre as reivindicações dos trabalhadores estavam reajuste de R$ 300 na cesta básica, fim das horas extras aos sábados com adicional de 100%, auxílio para exames médicos, extensão da cesta básica a terceirizados e manutenção do benefício a trabalhadores afastados por atestado médico.
Do lado patronal, Frank Souza rebateu as críticas, defendendo que o índice oferecido estava acima do INPC e explicando que o aumento na geração de empregos do setor não se traduz automaticamente em reajuste salarial, já que a negociação coletiva trata do piso da categoria, e não do quanto cada empresa pode pagar individualmente.
Em conversa com o ATUAL, ele também argumentou que a cesta básica já havia tido alta de 80% no ano anterior e que o Secont supriria parte das demandas sobre acompanhamento de saúde dos trabalhadores. Diante da falta de acordo, o Sintracomec-AM havia anunciado greve a partir de quarta-feira (15), com potencial de mobilizar mais de 40 mil trabalhadores, culminando no protesto realizado nesta sexta-feira em frente ao TRT-11, horas antes de o acordo ser finalmente costurado.
