Morre Luiz Carlos Barreto, referência do cinema nacional, aos 98 anos
Luiz Carlos Barreto, um dos nomes mais importantes da história do cinema brasileiro, morreu na madrugada desta quarta-feira (22), aos 98 anos. A informação foi confirmada por familiares. O produtor, diretor e fotógrafo, conhecido como Barretão, estava internado desde terça-feira (21) e enfrentava problemas de saúde desde março de 2024, quando sofreu uma queda durante uma visita ao Ceará, seu estado natal.
Com mais de seis décadas dedicadas ao audiovisual, Barreto construiu uma trajetória fundamental para o cinema nacional. Além disso, participou de um dos períodos mais marcantes da produção brasileira: o Cinema Novo, movimento que transformou a linguagem cinematográfica do país nos anos 1960.
Barretão ajudou a construir o Cinema Novo
Formado em Letras, Luiz Carlos Barreto iniciou a carreira no jornalismo e no fotojornalismo. Posteriormente, levou seu olhar para o cinema e assinou a direção de fotografia de dois filmes considerados essenciais para a história nacional: “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, baseado na obra de Graciliano Ramos, e “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha.
Além disso, por meio da L.C. Barreto Produções Cinematográficas, fundada em maio de 1963, ele participou da realização de grandes clássicos da cinematografia brasileira, como “Garrincha — Alegria do Povo” (1963), de Joaquim Pedro de Andrade; “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” (1965), de Roberto Santos; “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969), de Glauber Rocha; e “Brasil Ano 2000” (1969), de Walter Lima Jr.
Apesar da importância como fotógrafo e roteirista, foi como produtor que Luiz Carlos Barreto ganhou maior reconhecimento. Ao longo de 60 anos de carreira, esteve envolvido em mais de 80 produções.
Entre seus maiores feitos está “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), dirigido por seu filho mais velho, Bruno Barreto. A adaptação do clássico de Jorge Amado se tornou um dos maiores sucessos do cinema brasileiro e levou quase 11 milhões de espectadores às salas de exibição.
Da fotografia ao cinema
Nascido em Sobral, no Ceará, em 1928, Luiz Carlos Barreto se mudou para o Rio de Janeiro em 1947, aos 19 anos. Inicialmente, trabalhou na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Depois, em 1950, iniciou sua trajetória como repórter nos Diários Associados, passando pelas revistas “A Cigarra” e “O Cruzeiro”, onde se destacou como fotógrafo.
Foi justamente durante esse período que conheceu Lucy Barreto, em 1952. O encontro aconteceu durante uma reportagem na casa da família dela, no Rio. Enquanto fotografava uma entrevista com uma Miss Goiás, Luiz Carlos se encantou ao ver Lucy tocar piano.
O romance precisou enfrentar uma pausa quando ela recebeu uma bolsa de estudos para estudar música em Paris. Entretanto, o reencontro aconteceu pouco tempo depois.
“Descobri que ela estava se interessando por um armênio. Então, me mandei para Paris para lutar pelo meu amor”, relembrou Barreto em entrevista ao jornal O Globo em 2023.
Na capital francesa, ele também se aproximou ainda mais do cinema. Matriculado no Instituto de Altos Estudos Cinematográficos (IDHEC), passou a frequentar estúdios, acompanhar gravações e conversar com diretores e produtores. Segundo ele, essa experiência se tornou sua verdadeira formação cinematográfica.
Ao longo de quase um século de vida, Luiz Carlos Barreto deixou uma marca definitiva na cultura brasileira, com uma trajetória que ajudou a contar e transformar a história do cinema nacional.
Fonte: O Fuxico
Foto: Divulgação
