Ministros do STF suspeitam que Toffoli tenha gravado reunião secreta, diz jornalista
Notícias do Brasil – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a suspeitar que uma reunião reservada realizada na quinta-feira (12) possa ter sido gravada sem autorização, após o vazamento de diálogos com detalhes das falas, interrupções e reações dos magistrados. O encontro discutiu a permanência de Dias Toffoli na relatoria do caso envolvendo o Banco Master e terminou com o próprio ministro se afastando do processo. A divulgação do conteúdo provocou desconforto interno e abriu questionamentos sobre uma possível quebra de confiança entre os integrantes da Corte.
Reunião reservada e mudança de posição
O encontro, fechado e sem registro oficial, reuniu os ministros para debater se Toffoli deveria permanecer à frente do inquérito sobre supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master, instituição associada ao empresário Daniel Vorcaro.
Segundo relatos divulgados pela imprensa, oito dos dez ministros presentes teriam se posicionado inicialmente pela permanência de Toffoli na relatoria. Entre eles, além do próprio ministro, estariam Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Apenas o presidente do Supremo, Edson Fachin, e a ministra Cármen Lúcia teriam defendido o afastamento do relator. No entanto, após manifestação de Flávio Dino sobre o contexto político do caso, Toffoli teria revisto sua posição e decidido se afastar da relatoria, decisão anunciada ainda na noite de quinta-feira. Com a mudança, o ministro André Mendonça foi sorteado como novo relator do processo.
Suspeita de gravação clandestina
O desconforto entre os ministros aumentou após a divulgação de trechos detalhados da reunião, incluindo expressões literais e a dinâmica das discussões. A precisão das informações levou integrantes do STF a considerar a hipótese de que o encontro tenha sido gravado sem autorização.
Segundo informações divulgadas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, parte dos ministros passou a suspeitar que o próprio Toffoli pudesse ter feito o registro. A hipótese, no entanto, não foi confirmada e é tratada como especulação interna.
Reuniões dessa natureza, segundo integrantes da Corte, não são gravadas oficialmente e funcionam como espaço de deliberação interna baseado na confiança entre os magistrados. A possibilidade de uma gravação clandestina é vista como uma potencial quebra desse pacto institucional.
Conteúdo vazado e repercussão
O material divulgado teria sido interpretado por alguns ministros como favorável a Toffoli, ao destacar argumentos que sustentariam sua permanência no caso. O ministro é citado em relatório da Polícia Federal no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master, o que motivou o debate interno sobre eventual impedimento.
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A divulgação dos diálogos aumentou a tensão dentro da Corte e gerou preocupação com a segurança das comunicações internas e com a preservação do sigilo em reuniões reservadas.
Negativa de Toffoli
Dias Toffoli negou qualquer envolvimento com gravação ou vazamento de informações. Em declarações divulgadas pela imprensa, o ministro classificou as suspeitas como “absolutamente inverídicas” e afirmou nunca ter gravado conversas de colegas.
Ele também declarou estar indignado com as insinuações e reforçou que respeita o caráter reservado das deliberações internas do Supremo.
Até o momento, não há confirmação oficial de que a reunião tenha sido gravada. O STF também não divulgou posicionamento institucional sobre o episódio. As assessorias do tribunal e do ministro foram procuradas por veículos de imprensa, mas não houve retorno até a última atualização das reportagens.
Fonte: AM POST
Foto: STF