Coluna 133 de Marcellus Campêlo | Amazonas Meu Lar: a força que ajudou a destravar o sonho da casa própria no estado
O déficit habitacional continua sendo um dos maiores desafios sociais do Amazonas. Conforme dados do IBGE, chega a 120 mil moradias e a maior parte do problema se concentra em Manaus, onde milhares de famílias vivem entre o aluguel caro, moradias precárias, ocupações irregulares e o sonho distante da casa própria.
A urgência em construir políticas públicas para combater o problema, levou o Governo do Estado a criar o Amazonas Meu Lar, em 2023, sob a condução da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), órgão que administrei até março deste ano, quando me desincompatibilizei para colocar meu nome à disposição do União Brasil, como pré-candidato a deputado estadual.
O Amazonas Meu Lar, logo de cara, se debruçou sobre um problema que constatamos ainda na sua criação: a baixa procura das pessoas por financiamento através do programa federal Minha Casa Minha Vida, simplesmente porque não tinham disponível o valor necessário para dar entrada no imóvel.
Foi justamente nesse ponto que o Amazonas Meu Lar passou a ter um papel decisivo para destravar o acesso à moradia no estado de forma mais ágil, além dos investimentos realizados na construção de conjuntos habitacionais.
O subsídio Entrada do Meu Lar, uma das linhas criadas pelo programa, trouxe uma solução prática para uma realidade conhecida por milhares de famílias – a de que, muitas vezes, a prestação cabia no orçamento, mas o trabalhador não conseguia juntar o valor necessário para dar entrada no imóvel. Na prática, o programa ajudou a transformar um financiamento que parecia impossível em uma oportunidade real.
Essa complementação estadual passou a funcionar como um impulso fundamental para fazer o Minha Casa Minha Vida ganhar ritmo no Amazonas. Além disso, o Amazonas Meu Lar fortaleceu também o mercado imobiliário e da construção civil, ajudando no desenvolvimento econômico do estado e ampliando o número de famílias aptas a conquistar a casa própria.
Quando o setor da construção civil se movimenta, toda a economia sente os efeitos positivos, na geração de empregos, na movimentação do comércio, no aquecimento de pequenos negócios e até na ampliação da arrecadação.
Ao mesmo tempo, a moradia digna reduz vulnerabilidades sociais, melhora as condições de saúde das famílias e leva mais estabilidade para crianças e jovens. No Amazonas, esse desafio ganha contornos ainda maiores por causa do crescimento urbano acelerado, principalmente em Manaus, além das dificuldades históricas de infraestrutura e regularização fundiária.
Por isso, a importância de iniciativas como o Amazonas Meu Lar, que já beneficiou 32.737 famílias, sendo 23.349 com regularização fundiária e 9.388 com soluções de moradia – entre unidades habitacionais construídas, bônus, bolsa e auxílio moradia, indenizações e o subsídio Entrada do Meu Lar.
Parte das famílias beneficiadas com moradia foram reassentadas das comunidades da Sharp, na zona leste, e Manaus 2000, na zona sul, pessoas que enfrentavam uma verdadeira via crucis a cada temporal, perdendo móveis e correndo risco de vida.
O Amazonas Meu Lar aproximou a política pública da realidade da população que mais precisa. E quando a população tem acesso à moradia planejada, com infraestrutura adequada, o impacto é positivo em diversas áreas: no saneamento, mobilidade, segurança, urbanização e qualidade de vida.
A política habitacional precisa ser vista não apenas como entrega de casas, mas como investimento em dignidade humana. A casa própria representa segurança para as famílias, estabilidade emocional e perspectiva de futuro. Para muitos amazonenses, significa deixar para trás anos de aluguel, insegurança ou moradia improvisada.
O sucesso do Amazonas Meu Lar demonstra que políticas públicas eficientes nascem quando existe capacidade de planejamento e entendimento da realidade local.
Garantir moradia digna é também construir cidadania, desenvolvimento e esperança para milhares de famílias.
Marcellus Campêlo é engenheiro civil, especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública; exerce, atualmente, a segunda vice-presidência do Partido União Brasil no Amazonas, pré-candidato a deputado estadual