Âmbar assume Amazonas Energia e descarta medidores aéreos em Manaus

Âmbar assume Amazonas Energia e descarta medidores aéreos em Manaus

MANAUS – A Âmbar Energia não pretende retomar a instalação em Manaus dos medidores aéreos, conhecidos como SMC (Sistema de Medição Centralizada), modelo que gerou críticas entre consumidores e é questionado na Justiça. O anúncio foi feito ao ATUAL por João Pilla, presidente da empresa que assumiu as operações da Amazonas Energia no estado, nesta terça-feira (14).

A transferência de controle da Amazonas Distribuidora foi aprovada pela Justiça e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e concluída no dia 10 deste mês, data que a Âmbar começou a operar a distribuição de energia no Amazonas.

“Nós não vamos trabalhar com esses medidores aéreos, chamados de SMC, que na época foram colocados”, afirmou João Pilla. Segundo ele, o modelo não está entre as prioridades da nova gestão, principalmente pelo impacto financeiro. “A gente não pretende trabalhar com isso, porque isso é um custo muito alto para a distribuidora”, completou.

Os medidores aéreos, que começaram a ser implantados em 2024, foram alvo de críticas de consumidores que questionavam a transparência na medição do consumo e possíveis impactos nas cobranças, além de ações judiciais envolvendo o uso da tecnologia.

João Pilla disse que a Âmbar estuda alternativas mais modernas para o sistema de medição, alinhadas a estratégias de redução de perdas e melhoria do serviço. “Nós estamos estudando outras tecnologias implantadas em outras distribuidoras, que a gente acredita que trazem um benefício para a distribuidora, para a população, e diminuem essa prática do furto”, acrescentou.

A avaliação da empresa é que novas soluções podem contribuir tanto para maior eficiência na medição quanto para o enfrentamento de um dos principais problemas do setor no estado: o furto de energia.

Rede defasada e desafios estruturais

Ao detalhar o cenário encontrado pela empresa, João Pilla citou problemas estruturais na rede elétrica tanto na capital quanto no interior. Segundo ele, há necessidade urgente de modernização diante de um sistema considerado fragilizado. “A gente constatou uma rede defasada, uma rede sobrecarregada, uma rede que precisa de cuidado, de uma manutenção mais contínua”, disse.

Segundo ele, a condição atual da rede impacta diretamente a qualidade do fornecimento de energia, tornando o sistema mais suscetível a falhas e interrupções. “Transformar essa rede vulnerável numa rede mais confiável, mais consistente e mais segura é o nosso objetivo”, afirmou.

A proposta da empresa é investir em tecnologia para aumentar a capacidade de resposta a falhas, com equipamentos que permitam identificar problemas com mais rapidez e reduzir o tempo de interrupção para os consumidores.

Outro gargalo é o furto de energia, considerado um dos principais entraves para a melhoria do sistema. Segundo ele, o problema afeta não apenas a qualidade do fornecimento, mas também a capacidade de investimento da concessionária.

“O desvio de energia causa falha na rede, causa sobrecarga, compromete a entrega de energia de qualidade e aumenta a conta daqueles consumidores regulares”, afirmou. Além dos impactos técnicos, João Pilla menciona o efeito direto nas finanças da empresa e, consequentemente, na expansão do serviço. “O desvio de energia tira a capacidade de investimento da distribuidora”.

Lei proíbe medidores de energia em Manaus por poluição visual (Foto: Murilo Rodrigues/ATUAL)
Âmbar descarta retomar instalação de medidores aéreos (Foto: Murilo Rodrigues/ATUAL)

Como estratégia, a empresa pretende combinar ações de conscientização com investimentos e reforço da rede. “Nós temos que enfrentar de frente esse problema, com comunicação clara e com uma rede menos vulnerável”, afirmou.

Investimentos e expansão

A distribuidora atende cerca de 1,1 milhão de unidades consumidoras no Amazonas. Desse total, aproximadamente 600 mil estão concentradas em Manaus, enquanto o restante está distribuído no interior, o que evidencia o desafio logístico e operacional de manter o fornecimento em regiões mais afastadas, segundo Pilla.

Com esse cenário, o aumento da demanda por energia no estado exige ampliação da capacidade da rede. “Nós precisamos aumentar essa capacidade para poder conseguir gerir essa demanda”, afirmou.

Segundo João Pila, a empresa atua em diferentes frentes simultaneamente, com prioridade para reorganização interna e melhoria do serviço. “Nós temos alguns temas que nós temos que enfrentar rapidamente. Reequilíbrio financeiro, nós vamos fazer. Gestão eficiente, gestão de orçamento, gestão eficiente, nós já estamos fazendo, está no nosso DNA”, disse.

Pilla disse que a empresa prepara um plano de investimentos considerado “robusto”, com foco na modernização da rede e na ampliação da capacidade de atendimento. Embora não tenha detalhado valores, ele disse que as mudanças não serão imediatas devido à complexidade das obras no setor elétrico. “Em energia, nada acontece muito rapidamente da noite para o dia. A gente tem um plano nos próximos três anos”.

Outra medida é a instalação de religadores e sensores que permitem identificar problemas com mais rapidez e diminuir o tempo de interrupção do fornecimento. “Nós queremos poder identificar o problema quando acontecer com mais rapidez para poder resolver mais rápido para o consumidor sentir menos esse tempo de recuperação”, afirmou.

João Pilla também destacou que algumas ações terão efeito imediato, como a poda de árvores e a limpeza de faixas próximas à rede elétrica. “Na questão da vegetação, isso nós vamos começar de imediato”, disse. Quanto as obras estruturais, como a construção de subestações e novas redes, devem levar mais tempo. “Construir uma subestação demora no mínimo dois anos”.

No interior do estado, o desafio é ainda maior. Ele cita que dos 62 municípios, apenas oito são interligados ao Sistema Interligado Nacional, o que mantém a dependência de geração por termelétricas a diesel, modelo mais caro e menos eficiente.

Diante desse cenário, a empresa, conforme ele, estuda ampliar a integração de novas localidades ao sistema elétrico nacional e reduzir gradualmente o uso de fontes mais poluentes. “Nós sempre vamos trabalhar para reduzir o uso das termelétricas e usar energia limpa”, disse.

Pilla também comentou sobre o reequilíbrio financeiro da concessão, considerado necessário para viabilizar os investimentos. Segundo Pilla, esse processo não irá impactar diretamente o consumidor em relação a um possível reajuste nas contas de energia.

“O reequilíbrio e o investimento não têm nenhuma relação com aumento da conta. Se a conta aumentar, é uma definição da agência reguladora”, afirmou, em referência à Aneel.

Amazonas energia e locatário terão que pagar indenização a um inquilino (Foto: Reprodução/Facebook)
Amazonas Energia foi assumida pela Âmbar (Foto: Reprodução/Facebook)

Entenda a mudança

A mudança na gestão da distribuidora ocorre após um processo de negociação e disputa judicial que se arrastava desde 2024. A transferência de controle foi viabilizada após acordo entre a Aneel e a Amazonas Energia, homologado pela Justiça Federal no fim de março deste ano.

A concessionária enfrentava um cenário de grave crise financeira, com risco de perda da concessão. À época, a empresa estava sob controle do grupo Oliveira Energia e acumulava elevado endividamento, o que levou à judicialização do caso.

Pelo acordo firmado, a Âmbar Energia, braço do grupo J&F, assumiu o compromisso de realizar um aporte bilionário para reestruturar a distribuidora. O valor chega a cerca de R$ 9,8 bilhões, destinado principalmente à redução das dívidas e reorganização financeira da companhia.

Em contrapartida, o acordo prevê flexibilizações regulatórias, incluindo ajustes em índices como perdas de energia e custos operacionais, com impactos projetados ao longo dos próximos anos no setor elétrico. A operação também marca a entrada do grupo dos empresários Joesley Batista e Wesley Batista no segmento de distribuição de energia elétrica, ampliando a atuação que já possuíam na área de geração.

 

Fonte: Amazonas Atual
Foto: Judah Levi/Divulgação

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Redacao Portal Impacto

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