MANAUS – Com aumento de 7% ao ano, o setor de delivery movimentou R$ 100 bilhões no Brasil em 2025. O segmento é dominado pelo iFood, que detém 80% do mercado, mas a gigante da entrega de alimentação ganha concorrentes.
Controlada pela chinesa DiDi, a 99Food quer ‘morder’ parte desse serviço e anuncia investimento de R$ 2 bilhões no Brasil, sendo R$ 100 milhões apenas em Manaus. O anúncio das operações na capital amazonense, a primeira no Norte em que a empresa oferecerá serviços, ocorreu na manhã desta terça-feira (24). A empresa atuou na capital amazonense entre 2021 e 2022.
Para ‘degustar’ do potencial de faturamento com o setor, a 99Food aposta em promoções. Vai oferecer cupons de desconto e oferta de entregas gratuitas nos primeiros meses de operação. A estratégia é conter a insatisfação com os preços praticados no setor. Pesquisa do Instituto Locomotiva, encomendada pela empresa, revela que 70% dos consumidores em Manaus consideram os valores cobrados pelos aplicativos caros ou muito caros.
Para Bruno Rossini, diretor sênior de comunicação da empresa, esse cenário representa uma oportunidade de expansão. “Existe uma demanda reprimida muito grande. Tem gente que quer pedir comida, mas desiste quando vê o preço final. A nossa proposta é destravar esse consumo com taxas mais equilibradas”.
Do lado dos estabelecimentos, os dados reforçam a importância dos aplicativos, mas também expõem desafios: 92% consideram as plataformas fundamentais para conquistar novos clientes, enquanto 84% afirmam que os preços impactam negativamente as vendas.
A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) projeta crescimento de até 70% no setor neste ano, impulsionado pela abertura de novos negócios e pelo aumento do consumo fora de casa.
Nesse contexto, a 99Food pretende ganhar espaço rapidamente, embora não revele metas exatas de participação. “Hoje é difícil falar em participação de mercado porque ele está em transformação. Mas o nosso objetivo é claro: queremos liderar. E liderar não só em volume, mas em satisfação de todos os lados — entregador, restaurante e consumidor”, afirma Rossini.

Outro diferencial apontado pela empresa é a possibilidade de múltiplas fontes de renda dentro do mesmo aplicativo, permitindo que parceiros alternem entre transporte de passageiros, entregas de comida e envio de pequenos itens.
“A gente não quer só disputar mercado — queremos fazer o mercado crescer. Trazer novos consumidores, incluir restaurantes que nunca fizeram delivery e criar um ecossistema mais saudável para todo mundo”, diz Rossini.
“Encontramos em Manaus um cenário interessante, com consumidores ativos, restaurantes mais competitivos e, ainda assim, um ecossistema de delivery com espaço para crescer. O início da nossa operação na maior cidade da Região Norte mostra que seguimos firmes com nossa estratégia de negócio e reafirmamos nosso compromisso de trazer os preços baixos e oportunidade de ganhos”, afirma.
Trabalhadores
O investimento inclui ganho maior para os entregadores de até R$ 250 por dia. São 3,1 mil entregadores nesta fase inicial das operações em Manaus.
Para alcançar o valor, o motociclista precisa realizar 20 viagens por dia, sendo ao menos cinco delas de delivery de comida. A empresa aposta no incentivo financeiro como estratégia para atrair parceiros e ampliar rapidamente sua base na capital amazonense.
Segundo Bruno Rossini, o modelo foi planejado para garantir previsibilidade de ganhos em um setor historicamente marcado por instabilidade. “A gente sabe que muitos entregadores enfrentam dias muito irregulares. Nosso objetivo é dar mais segurança para que eles possam planejar sua renda. Não é só sobre ganhar mais, mas sobre ter consistência ao longo da semana”, afirma.
A plataforma utiliza tecnologia com inteligência artificial para otimizar o direcionamento de pedidos, garantindo mais eficiência nas entregas e reduzindo o tempo médio para cerca de 25 a 30 minutos por corrida.