O município de Envira, distante 1.208 km de Manaus, vive uma grave crise na educação pública

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Mesmo com o ano de 2025 já em curso há quase seis meses, o ano letivo nas escolas da zona rural sequer teve início. Aproximadamente 1.500 estudantes continuam fora das salas de aula, vítimas diretas da inércia da gestão do prefeito Ivon Rates, que havia prometido o início das atividades escolares para o dia 24 de março.

 

A justificativa apresentada pelo prefeito, segundo vereadores ouvidos pela reportagem, seria a falta de material escolar e didático nas comunidades rurais. No entanto, a ausência de planejamento e a recorrente negligência da administração municipal levantam sérias dúvidas sobre o compromisso da atual gestão com a educação pública.

 

Na última sexta-feira (9), um dos vereadores da oposição usou a tribuna da Câmara Municipal para cobrar explicações da Prefeitura de Envira e exigir uma solução imediata para o problema. Em tom crítico, o parlamentar destacou que o futuro de centenas de crianças e adolescentes está sendo comprometido.

 

Moradores das comunidades afetadas também manifestam indignação. Muitos pais relataram a reportagem que seus filhos estão há meses sem qualquer atividade pedagógica, enquanto a prefeitura não apresenta soluções concretas. “Nossos filhos estão sendo esquecidos e prejudicados”, disse Maria do Socorro, moradora da zona rural.

 

Outro lado

 

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Envira enviou nota afirmando que os materiais que faltam já foram adquiridos e em breve as aulas deve iniciar. Um comitiva de vereadores foi até a zona rural verificar os materiais.

 

“O não cumprimento do início das aulas na zona rural com base na data divulgada deu-se pela desestruturação encontrada in locos e aquisição de materiais necessários para o início. Superar o atraso decorrente do abandono do processo escolar tem sido nosso maior desafio, mas nunca faltou compromisso da Administração”, diz nota.

 

Cassado

 

Além do caos na educação, o prefeito Ivon Rates enfrenta problemas na Justiça. Em março deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) cassou seu mandato após julgar que ele estava inelegível no momento da eleição de 2024. A decisão, que teve placar apertado de quatro votos a três, reverteu a sentença anterior do juiz Fábio Lopes Alfaia, que havia validado a candidatura de Ivon. O prefeito recorreu com um embargo de declaração, que ainda aguarda julgamento.

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Redacao Portal Impacto

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