Tambaqui em perigo: peixe que reina nas mesas do Amazonas pode ser extinto

Tambaqui em perigo: peixe que reina nas mesas do Amazonas pode ser extinto

Notícias do Amazonas- O tambaqui, presença praticamente garantida nas feiras, mercados e mesas do Amazonas, passou a enfrentar um cenário que pode mudar a relação dos amazonenses com um dos peixes mais tradicionais da região.

A espécie foi incluída na lista oficial da fauna aquática ameaçada de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente, na categoria “Vulnerável”.

Na prática, a classificação coloca o tambaqui no centro de uma discussão que vai muito além da preservação ambiental: envolve alimentação, economia, pesca artesanal e a sobrevivência de comunidades que vivem às margens dos rios.

O que levou o tambaqui a entrar em alerta?

Estudos utilizados na avaliação apontaram uma redução de aproximadamente 43% na população do tambaqui ao longo de três gerações.

 

Entre os fatores associados ao declínio está a pressão da pesca sobre os estoques naturais. A falta de dados mais completos sobre a produção da espécie em criatórios também aparece como um dos pontos que dificultam uma fotografia precisa da população de tambaquis existente atualmente.

É justamente nesse ponto que parte do setor produtivo questiona os critérios utilizados para a classificação.

 

Pescador pode ser o mais atingido pela decisão

No Amazonas, a preocupação não está apenas na possibilidade de o peixe ficar mais difícil de encontrar.

Uma eventual restrição à pesca pode atingir diretamente pescadores artesanais, comerciantes, trabalhadores de feiras e mercados e famílias que utilizam o pescado tanto para consumo quanto para geração de renda.

 

Para muitas comunidades amazônicas, o tambaqui representa uma fonte de alimento que está diretamente ligada ao modo de vida regional.

 

Ambientalistas defendem proteção dos estoques

Do outro lado da discussão está o alerta sobre a necessidade de recuperar as populações naturais do peixe.

A classificação como “Vulnerável” indica que o tambaqui enfrenta risco e precisa de medidas de conservação para evitar que a situação se agrave.

A proposta é criar mecanismos capazes de reduzir a pressão sobre os estoques naturais e melhorar o acompanhamento da espécie.

 

Tambaqui de rio e tambaqui de criatório entram no mesmo debate?

Esse é um dos principais pontos de discussão.

Representantes do setor pesqueiro e pesquisadores questionam se os dados utilizados para avaliar a espécie conseguem representar toda a população de tambaquis, especialmente aqueles encontrados em áreas protegidas, unidades de conservação e territórios indígenas.

Também existe uma diferença importante entre o peixe retirado diretamente dos rios e aquele produzido pela piscicultura.

Por isso, especialistas e representantes do setor defendem que novos levantamentos sejam realizados antes da adoção de medidas que possam atingir toda a cadeia produtiva.

Pesca pode ser proibida?

A possibilidade de suspensão da pesca passou a preocupar o setor, mas o debate ainda envolve a elaboração das medidas necessárias para recuperar os estoques da espécie.

Caso não sejam definidas ações consideradas suficientes para garantir a conservação do tambaqui, novas restrições poderão ser adotadas.

 

A discussão, portanto, não é apenas sobre comer ou não comer tambaqui. Está em jogo como preservar uma espécie fundamental para os rios amazônicos sem provocar um impacto social e econômico ainda maior sobre quem depende dela.

O que está em jogo para o Amazonas?

A resposta envolve dois lados de uma mesma questão.

De um lado, está a necessidade de impedir que o tambaqui desapareça dos rios amazônicos. Do outro, milhares de pessoas que dependem da pesca precisam continuar tendo condições de trabalhar e colocar comida na mesa.

O desafio das autoridades será encontrar um equilíbrio entre preservação ambiental e sobrevivência econômica das comunidades amazônicas.

Enquanto o debate avança, o tambaqui deixa de ser apenas uma das estrelas da culinária regional e passa a ocupar também o centro de uma preocupação ambiental que pode mudar o futuro da pesca no Amazonas.

Fonte: AM POST
Foto: Divulgação

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Redacao Portal Impacto

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