Amazonas prepara operação para enfrentar estiagem com alimentos, água e combate a queimadas
Notícias do Amazonas – O Governo do Amazonas reuniu, nesta sexta-feira (14), órgãos estaduais para alinhar as ações de enfrentamento à estiagem de 2026 e aos impactos provocados pela redução do nível dos rios nos próximos meses.
A reunião do Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais foi coordenada pelo governador Roberto Cidade, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), em Manaus.
O planejamento prevê distribuição de alimentos, kits de higiene e limpeza, purificadores e caixas-d’água, além de reforço no combate a incêndios e acompanhamento dos possíveis efeitos da seca, do calor e da fumaça sobre a saúde da população.
O Amazonas está em Estado de Emergência Climática e Ambiental em caráter preventivo desde junho, segundo o governo.
Assistência durante a estiagem será dividida em quatro fases
O Planejamento Humanitário Operacional foi organizado conforme o comportamento esperado dos rios em cada região do Amazonas.
A primeira fase ocorrerá entre agosto e outubro e terá como prioridade municípios das calhas do Alto Solimões, Juruá e Purus.
Entre agosto e novembro, a segunda etapa alcançará as calhas do Madeira, Médio Solimões e Baixo Solimões. A terceira fase, entre setembro e novembro, atenderá Médio Amazonas e Baixo Amazonas.
A quarta etapa está prevista entre novembro e fevereiro e será direcionada à calha do rio Negro.
A assistência prevê cestas básicas, kits de higiene e limpeza, carne, frango, caixas-d’água de 500 litros e purificadores de água.
“Cada [secretaria] destacou como pode colaborar para que a gente possa chegar mais rápido lá na ponta, levando insumos, alimentos, combustível, kits de higiene e proteína”, afirmou Roberto Cidade.
Defesa Civil monitora níveis dos rios nos 62 municípios
Segundo o governo estadual, os 62 municípios amazonenses já receberam capacitações relacionadas à preparação para a estiagem, incluindo elaboração de planos de contingência e procedimentos para decretação de situação de emergência.
A Defesa Civil também instalou réguas linimétricas em 16 municípios para acompanhar as alterações nos níveis dos rios.
O sistema estadual contabilizou 328 alertas, dos quais 103 foram hidrológicos, 134 geológicos e 91 meteorológicos.
“Nós da Defesa Civil já estamos monitorando esse fenômeno há algum tempo, para tentar minimizar justamente esses impactos”, afirmou o secretário estadual da Defesa Civil, coronel Mauro Freire.
Amazonas já distribuiu 243 purificadores de água em 2026
Uma das principais preocupações durante períodos severos de estiagem é garantir o acesso das comunidades à água adequada para consumo.
Segundo o balanço apresentado pelo governo, 243 purificadores de água foram entregues em 2026.
Os equipamentos foram distribuídos pelas calhas do Alto Solimões (28), Médio Solimões (40), Baixo Solimões (29), Juruá (10), Purus (7), Madeira (8), Médio Amazonas (53), Baixo Amazonas (50) e Negro (18).
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) também informou ter distribuído mais de 3 milhões de frascos de hipoclorito de sódio aos municípios para auxiliar no tratamento da água destinada ao consumo humano.
Bombeiros reforçam combate a incêndios durante período de seca
A estiagem também aumenta a preocupação com incêndios florestais e queimadas no Amazonas.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou que ampliou sua presença no interior. Entre 2025 e 2026, o número de municípios com bases permanentes passou de 11 para 25, segundo dados apresentados pelo governo.
A Operação Amazonas Mais Verde 2026 mantém uma média diária de quase 500 profissionais em serviço, principalmente no interior, além de aproximadamente 150 viaturas.
De acordo com o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz, foram atendidas menos de 600 ocorrências de incêndio no interior do estado até o momento.
O planejamento prevê ainda a implantação de quartéis em outros sete municípios.
Fiscalização contra queimadas será intensificada
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) deverão intensificar o monitoramento de focos de calor, fiscalização ambiental e orientação aos produtores rurais.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, afirmou que as ações incluem tanto iniciativas de regularização quanto fiscalização de possíveis crimes ambientais.
Operações integradas também serão mantidas em áreas consideradas mais vulneráveis, incluindo municípios do sul do Amazonas.
Entre elas estão a Operação Protetor dos Biomas e a Operação Tamoiotatá, esta última com atuação em Humaitá e Apuí.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), o Ministério da Justiça e Segurança Pública já foi informado sobre a situação do Amazonas. Em caso de necessidade, o estado poderá solicitar reforços e aeronaves especializadas no combate a incêndios.
Saúde monitora efeitos da fumaça e do calor extremo
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e a FVS-RCP também integram o planejamento para a estiagem.
O monitoramento será direcionado principalmente aos efeitos do calor extremo, da escassez de água e da piora da qualidade do ar provocada pela fumaça das queimadas.
Segundo o secretário estadual de Saúde, Luis Alberto Saraiva, orientações sobre exposição à fumaça e às altas temperaturas já foram encaminhadas, e haverá reforço no quantitativo de médicos nas unidades durante os próximos meses.
A FVS-RCP informou ainda que elaborou planos de contingência e notas técnicas para orientar os 62 municípios.
As ações estaduais deverão ser ampliadas conforme o avanço da vazante e os impactos registrados em cada região do Amazonas.
Fonte: AM POST
Foto: Reprodução
