Sobre o acesso dos trabalhadores às fábricas, Valdemir Santana disse que a maioria conseguiu chegar ao local. “Alguns chegaram atrasados e outros foram para casa”, disse.
O dirigente defendeu a reivindicação dos motoristas por maior reajuste salarial e melhores condições de trabalho, mas pediu que cheguem a um acordo com os patrões. “É a primeira vez que acontece um movimento desses dentro do Distrito Industrial”, afirmou.

Indústria
O presidente da Fieam, Antonio Silva, classificou a paralisação como “greve abusiva” e afirmou que a entidade, desde cedo, atuou em conjunto com o vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa, para tentar pôr fim ao movimento. “Vamos recorrer a tudo que for necessário para pôr fim a esta greve”, disse.
Segundo ele, a Fieam acionou o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público Estadual.
Alegação do Sifretam
Em nota, o Sifretam (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento, Turismo, Rodoviários Intermunicipal, Interestadual e Internacional do Estado do Amazonas) informou que houve reuniões de negociação com o Sindespecial nos dias 6, 17 e 19 de agosto, com propostas de reajuste salarial e benefícios. Mesmo assim, “os dirigentes do Sindespecial, infelizmente, optaram pela deflagração de movimento de paralisação”.
O sindicato patronal alega que parte da categoria atua no transporte de trabalhadores do Distrito Industrial, “circunstância que confere caráter essencial ao serviço e amplia o alcance dos reflexos da paralisação sobre a rotina das indústrias instaladas no polo e de seus empregados”.
O Sifretam afirma ainda que a última reunião, em 19 de agosto, ocorreu “sem que tenha havido comunicação prévia ao setor patronal ou observância do prazo mínimo de antecedência exigido pela legislação para a deflagração de greve em atividade essencial”.
Uma nova rodada de negociação foi marcada para a tarde desta quinta-feira. Até às 13h alguns veículos permaneciam parados em avenidas do Distrito Industrial.
Suframa
Também em nota, a Suframa informa que acionou a Polícia Militar e a Justiça do Trabalho para adotarem providências a fim de garantir a mobilidade urbana e o acesso ao trabalho. Confira a nota na íntegra.
NOTA OFICIAL
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informa que oficiou formalmente, nesta quinta-feira (20), a Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMAM), o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e a Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região (PRT-11/MPT) acerca da paralisação promovida pela categoria dos trabalhadores do transporte especial (fretamento).
De acordo com as informações disponíveis até o momento, a paralisação é uma iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Especiais de Manaus (Sindespecial) e decorre de impasse nas negociações com as empresas do setor. Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão reajuste salarial, redução da jornada, auxílio-alimentação e melhorias nas condições de trabalho.
A mobilização alcançou diferentes pontos da cidade, com bloqueios em importantes vias de acesso ao Distrito Industrial, incluindo trechos da Avenida Grande Circular e as rotatórias conhecidas como “Bola da Suframa” e “Bola da Samsung”, além de outras vias relevantes para o deslocamento de trabalhadores e para o fluxo de veículos destinados ao PIM.
A situação tem comprometido diretamente o deslocamento de expressivo contingente de trabalhadores ao Distrito Industrial de Manaus, com reflexos sobre o funcionamento das empresas instaladas no PIM. A continuidade desse cenário poderá ocasionar a paralisação ou redução de linhas de produção, além de repercutir nas cadeias de suprimento, no cumprimento de prazos contratuais e, de forma mais ampla, na atividade econômica e na política de desenvolvimento regional da Zona Franca de Manaus.
Nesse contexto, a Suframa solicitou a atuação dos órgãos em questão, no âmbito de suas atribuições, para a adoção das providências necessárias à ordenação do trânsito e, se necessário, à desobstrução das vias públicas afetadas, de modo a assegurar condições adequadas de circulação e acesso ao Distrito Industrial, preservado o exercício do direito de manifestação dos trabalhadores, nos termos da legislação aplicável.
Por fim, a Autarquia solicitou que, na avaliação e adoção das medidas cabíveis, sejam consideradas as repercussões da paralisação sobre o funcionamento do Distrito Industrial de Manaus e sobre a política de desenvolvimento regional da Zona Franca de Manaus.
A Suframa reafirma seu compromisso com a preservação da atividade produtiva, do emprego e do desenvolvimento regional, bem como com o diálogo institucional entre os órgãos competentes e os setores envolvidos. A Autarquia permanece acompanhando a situação e mantendo interlocução institucional com representantes do setor produtivo, com o objetivo de obter informações sobre os impactos da mobilização e contribuir para a preservação das condições necessárias ao funcionamento das atividades econômicas do PIM.
