Amazonas: quando segurança pública deixa de ser promessa e passa a ser resultado

Amazonas: quando segurança pública deixa de ser promessa e passa a ser resultado

O Amazonas acaba de alcançar uma marca que merece ser reconhecida: subiu quatro posições e chegou ao 5º lugar nacional no pilar de Segurança Pública do Ranking de Competitividade dos Estados 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). É o melhor desempenho do Estado desde o início da série histórica, em 2016, além da liderança entre os estados da Região Norte.

 

Mais importante do que a posição no ranking, entretanto, é compreender o que existe por trás dela.

 

Segurança pública não melhora por acaso. Resultados consistentes são consequência de planejamento, investimento, inteligência, integração entre instituições e, sobretudo, polícia nas ruas e, sobretudo aqui no Amazonas, polícia nos rios.

 

Nos últimos anos, o Amazonas avançou justamente nessa direção. O fortalecimento do policiamento ostensivo foi acompanhado pela ampliação das operações integradas, pelo emprego de tecnologia e pelo aprimoramento da inteligência policial. Sistemas como o Paredão e o RecuperaFone, além das Bases Arpão, passaram a integrar uma estratégia que combina prevenção, repressão qualificada e monitoramento permanente.

 

No enfrentamento ao crime organizado e ao narcotráfico, a atuação também ganhou escala. Até setembro de 2026, as forças de segurança haviam apreendido 59,2 toneladas de entorpecentes, sendo 41,3 toneladas somente pela Polícia Militar. São números que representam mais do que drogas retiradas das ruas: significam recursos retirados das organizações criminosas e capacidade operacional demonstrada pelo Estado.

 

Mas segurança não se resume à apreensão de drogas.

 

Os indicadores recentes mostram redução em diferentes modalidades criminosas. Entre abril e julho de 2026, os homicídios caíram 14,2% no Amazonas e 29,1% em Manaus. No mesmo período, houve redução de 61,4% nos roubos de veículos, 35,3% nos roubos ao comércio e 30% nos roubos a pedestres. Na capital, os assaltos a ônibus recuaram 54,5%.

 

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 reforça essa tendência: considerando os dados de 2025, o Amazonas registrou redução de 32,5% nas mortes violentas intencionais, enquanto os homicídios dolosos caíram 33,5%.

 

Esses resultados revelam uma mudança importante de paradigma: segurança pública precisa ser tratada como política de Estado, e não como resposta episódica às crises.

 

É preciso reconhecer o papel de cada instituição nesse processo. Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica, Corpo de Bombeiros, sistema de Justiça e demais órgãos de segurança precisam atuar de forma coordenada. No Amazonas, essa integração vem permitindo respostas mais rápidas e operações cada vez mais orientadas por inteligência e informação.

 

E há outro fator fundamental: o investimento nas pessoas.

 

Não existe tecnologia capaz de substituir o policial preparado, motivado e presente nas ruas. O ingresso de novos policiais, a formação profissional, o estágio operacional, a modernização de equipamentos e a ampliação da capacidade de policiamento representam investimentos diretamente relacionados à capacidade do Estado de proteger a população.

 

O desafio agora é ainda maior.

 

Chegar ao 5º lugar é motivo de orgulho, mas permanecer entre os melhores exige continuidade. Ranking não pode ser ponto de chegada. Deve ser instrumento de avaliação, cobrança e planejamento.

 

O Amazonas ainda possui enormes desafios. Sua dimensão territorial, a extensa malha fluvial, as fronteiras internacionais e a presença de organizações criminosas tornam a realidade amazonense particularmente complexa. Por isso, cada avanço precisa ser consolidado e transformado em política permanente.

 

A segurança pública amazonense está demonstrando que é possível enfrentar desafios históricos quando existe planejamento, integração, tecnologia, inteligência e presença.

 

O 5º lugar nacional, portanto, não é apenas uma posição em uma tabela. É o reconhecimento de que quando o Estado ocupa seu espaço, utiliza inteligência, valoriza seus profissionais e age de forma integrada, os resultados aparecem.

 

O caminho ainda é longo. Mas os números mostram que o Amazonas está caminhando na direção correta.

 

E, em segurança pública, resultado não é discurso.

 

Resultado é vida preservada, crime reduzido e cidadão protegido.

 

 

Thiago Balbi de Souza Lima é Coronel da Polícia Militar, bacharel em Direito pela UEA e mestre em Direito Constitucional pela UNIFOR. Atualmente exerce a função de Subcomandante-Geral da Polícia Militar do Amazonas

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Redacao Portal Impacto

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